Arminianos Cearenses

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sábado, 28 de fevereiro de 2015

PORQUE OU COMO DEUS ENDURECEU O CORAÇÃO DE FARAÓ?




Por Anderson de Paula

Ao meu ver Romanos 1 a "doutrina do endurecimento" é exposta por Paulo de forma muito clara.
"POR ISSO, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si;" Rm 1.24
"POR CAUSA DISSO, os entregou Deus a paixões infames; porque até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações íntimas por outro, contrário à natureza;" Rm 1.26
"E, POR HAVEREM DESPREZADO O CONHECIMENTO DE DEUS, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes," Rm 1.28
Ou seja, o endurecimento destes pecadores não foi incondicional, mas devido a perseverança nestes pecados.
Ninguém foi eleito para ser um idólatra e homossexual, mas se perseverar nestes pecados certamente Deus endurecerá os seus corações. Aliás aquele que persevera no pecado está desprezando até mesmo vontade de Deus, sendo que esta não é que eles continuem no pecado.
SOBRE O ENDURECIMENTO DO CORAÇÃO DE FARAÓ:
Deus endureceu o coração de Faraó por causa de ele (Faraó) ter obstinado e endurecido seu próprio coração ao dizer:
“Quem é o Senhor para que lhe ouça eu a voz e deixe ir a Israel? Não conheço o Senhor, nem tampouco deixarei ir a Israel” (Êx 5:2).
A figura de Faraó para o povo (e o próprio Faraó) era de um "deus". Portanto essas palavras de Faraó era um desafio ao próprio Deus dos hebreus, pois na mente dos Egípcios Faraó nao poderia e nem os deuses da maior potencia da época perder para um Deus de escravos. Portanto faraó endureceu seu próprio coração contra Deus e por este motivo Deus mostrou quem ele é para o Egito derrubando todos os "deuses" que eles pensavam ser invencíveis. Aqui segue os deuses que as 10 pragas confrontaram e destronaram!
1ª Praga: Deus derrota o "deus" Osíris com a praga das águas do Nilo transformadas em sangue. Para os egípcios essas águas eram sagradas de acordo com a lenda de Osíris.
2ª Praga: Deus derrota a "deusa" Heka com a praga das rãs. No Egito esse animal era sagrado pois simbolizava o "poder da criação". Quem matasse um animal desses morria, pois era considerado sagrado e era um insulto a "deusa". Contudo, Deus fez com que aquele povo passasse a odiar as rãs por causa do aumento desenfreado desses animais. Assim Deus derrotou a Heka.
3ª Praga: Deus derrota o "deus" Fedi com a praga dos piolhos. Esse deus era o responsável por defender o povo egípcio dos piolhos, que eram grandemente temidos por eles. Deus através desta praga mostra que a defesa desse "deus" em nada adiantou contra o Deus dos hebreus.
4ª Praga: Deus derrota o "deus" Escabino. As moscas eram seres sagrados para os egípcios e representadas por esse "deus". O Deus verdadeiro vence esse "deus' ao enviar moscas para os egípcios em grandes quantidades, fazendo o povo odiar esses insetos e mostrando que Escabino nao era nada.
5ª Praga: Deus derrota o "deus" Apis. Os animais eram o negocio mais lucrativo para esse povo, e por essa razão esse "deus" era muito cultuado, pois era o protetor dos animais do Egito. Deus derrota esse "deus" com a praga das pestes nos animais, mostrando que Apis nada podia fazer para defende-los diante do verdadeiro Deus.
6ª Praga: Deus derrota os "deuses" Imutes e Khonsu. Esses "deuses" eram o deus da medicina dos Egípcios e quando o povo não conseguiam cura pela medicina cultuavam esse "deus" responsável pela saúde do povo. Deus derrota esse "deus" com a praga das Ulceras, mostrando que Imutes nada podia contra o Deus verdadeiro.
7ª Praga: Deus derrota a "deusa" Chó. Essa " deusa" era a protetora dos céus do egípcios. Deus derrota essa "deusa" com a praga da saraiva, mostrando que Chó nada podia contra o verdadeiro Deus.
8ª Praga: Deus derrota o "deus" Zedequias. Esse 'deus' era o protetor das lavouras, mas nada pode fazer quando o Deus verdadeiro manda a praga dos gafanhotos.
9ª Praga: Deus derrota o "deus" Rá. Esse era o deus Sol muito adorado pelo povo. Deus o derrota com a praga das trevas e Rá nada pode fazer contra o Deus verdadeiro!
10ª Praga: Deus derrota o "deus' Anúbis. Esse era o deus da morte e dos funerais. Deus derrota esse "deus" com a praga da morte dos primogênitos, com isso, vence a Faraó e seus "deuses" protetores.
CONCLUSÃO!
Portanto Deus pune Faraó por ter desafiado a Deus! Humilhando não apenas os deuses, mas também mostrando para todos quem é o verdadeiro Deus!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Observações do professor Paulo Cesar Antunes sobre a fala de Marcos Granconato no programa Vejam Só.



1) Por volta de 10:30, o Marcos Granconato faz uma grande confusão entre fé, graça, gratuidade e incondicionalidade.
Ele acredita que, sendo pela fé (prevista), a eleição se torna uma "retribuição disfarçada", "merecida", e anularia a graça. Portanto, a eleição precisa ser incondicional.
Sobre o primeiro ponto, as Escrituras são enfáticas: "é pela fé, para que seja segundo a graça", Rm 4.16. Obviamente poderia ser discutido como a fé acontece, mas o simples fato de ser pela fé não anula a graça.
Sobre o segundo ponto, gratuidade e incondicionalidade não são sinônimos. Algo pode ser gratuito e condicional. Um versículo que eu sempre cito para provar este ponto é Ap 22.17: "E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida." A água da vida é "de graça", mas você precisa ir tomá-la. Embora gratuita, ela é condicional.
2) Em 13:28, o Granconato diz que a afirmação da Eleição Incondicional torna o crente mais humilde.
Em primeiro lugar, a prática não confirma a teoria. A soberba entre inúmeros calvinistas é denunciada não somente por pessoas de fora, mas de dentro também.
Em segundo lugar, temos um fato histórico. A nação de Israel acreditava em sua eleição incondicional, e ainda assim se vangloriava de seu status diante dos gentios.
Em terceiro lugar, mesmo se a afirmação fosse verdadeira, ela não provaria nada. Diversas religiões conseguem efeitos semelhantes. Tenho amigos espíritas muito mais abnegados do que eu.
Em quarto lugar, o efeito "tornar-se mais humilde" seria resultado da graça de Deus no crente e não da afirmação de qualquer doutrina. No máximo, uma doutrina poderia servir de meio. Mas nessa hipótese, qualquer outra doutrina poderia servir ao mesmo propósito, já que o que realmente importa é uma obra interior do Espírito no crente levando-o à humildade.
3) Em 27:40, o Granconato diz, a respeito de Hb 12.2 ("autor e consumador da fé") que há a ideia de "princípio e fim" no texto e que a interpretação do Carlos não foi "honesta".
Mas se alguém observou bem, o Carlos manteve a ideia de "princípio e fim" no texto. Ele diz que "autor" significa "líder, pioneiro, fundador" e "consumador" significa "aperfeiçoador". Ou seja, a ideia de "princípio e fim" está presente no texto, e o que não foi honesta foi a acusação do Granconato.
Quanto ao verdadeiro significado do texto, o Vailatti está corretíssimo. A ideia é de "pioneiro" e "aperfeiçoador" mesmo. Basta observar o contexto.
4) A partir de 32.42, o Granconato se utiliza de um artifício muito comum no meio teológico, de acusar um oponente de enfrentar o mesmo problema ao invés de tentar respondê-lo. Sobre a acusação do Carlos de que o Calvinismo torna Deus o autor do mal e do pecado, o Granconato diz que isso não é um "problema calvinista" e acrescenta que "é um problema de qualquer pessoa que crê na Bíblia, sendo calvinista ou arminiano.
É um problema de qualquer pessoa que crê na Bíblia uma ova. A ideia da presciência divina não coloca o arminiano no mesmo barco que o calvinista. No Calvinismo, o decreto é incondicional. No Arminianismo, Deus levou em consideração as escolhas das criaturas. Se ambos têm um problema aqui, ele certamente não é o mesmo, como diz o Granconato.
É justamente o fato do decreto ser incondicional (ou seja, em nada dependeu de suas criaturas) que coloca o Calvinismo sob ataque. Nessa hipótese, o mal seria obra de Deus tanto quanto o bem. Esse é um problema que o Arminianismo definitivamente não tem.
Se Deus previu o pecado do homem e não o impediu, isso não faz de Deus o autor do mal e do pecado. Ele não tinha a obrigação de impedir e a criatura, e não Deus, foi a responsável pela sua escolha.
5) Em 33:58, o Granconato, falando da Queda de um ponto de vista arminiano, diz que "Deus criou todas as condições para que aquilo (o pecado) acontecesse".
Isso não é verdadeiro de um ponto de vista arminiano. Deus não criou as condições para que (com a intenção de que) o pecado acontecesse. Ele certamente sabia que iria acontecer, mas este não é o seu propósito principal. O propósito é, como ele também diz um pouco antes, colocar o casal à prova. O pecado surge como consequência disso.
6) Em 34:30, o Granconato diz que o problema do mal é resolvido se negarmos a presciência, "que é o que está fazendo atualmente, SE NÃO ME ENGANO, é um tal de Roger Olson, que é o grande papa do Arminianismo moderno. Ele está começando a entrar na linha do teísmo aberto."
Aqui não precisa dizer muito. Basta dizer que as suspeitas do Granconato de estar enganado se cumpriram. Ele está enganado. Olson não nega a presciência e não está entrando na linha do teísmo aberto.
7) Anteriormente o Granconato havia criticado o Carlos por não citar um texto por completo, mas sobre 2 Tm 2.11, o Granconato faz exatamente isso, não cita um texto por completo. Ele convenientemente interrompe na parte a do v. 12.
2 Ts 2.11 E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira;
2 Ts 2:12 Para que sejam julgados <<todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade >>.
A parte destacada é completamente ignorada pelo Granconato, mas é essa parte que dá sentido ao texto que ele cita. Deus quer que os ímpios creiam na mentira, mas essa vontade é consequente à atitude dos próprios ímpios de rejeitarem a verdade. Antecedentemente Deus não quer que ninguém creia em mentiras.
8) O Granconato fala que "o que não podemos fazer é pegar algumas partes da Bíblia e dizer, 'não, isso aqui eu vou alterar isso aqui para não dizer isso'... 'aqui quando fala que ele fez vasos para ira, não é bem isso, ele não fez não'..."
O Granconato está correto em dizer que não podemos rejeitar as partes das Escrituras que não nos agradam ou não se encaixam ao nosso entendimento finito. No entanto, quem nesse debate nega que Deus fez "vasos para ira"? Ele fez. Agora, o que está em jogo é o que isso significa.
O Granconato abre mão de ir mais fundo no texto, na busca de coerência, sob o pretexto de que nosso entendimento é finito, mas esse é um argumento auto-destrutivo. Explico.
O texto de Romanos não diz escancaradamente que Deus rejeitou incondicionalmente algumas pessoas em particular para que elas fossem para o inferno. Diz que Deus fez vasos para ira. Volto a dizer, o que interessa é o que isso significa. O Granconato interpreta o texto da maneira calvinista. Mas o que ele usa para interpretar? O seu entendimento humano finito. Com seu entendimento humano finito, ele interpreta que o texto afirma a doutrina da reprovação.
9) Estou vendo alguns calvinistas comentarem em suas páginas que o Carlos afirmou que a Bíblia contém erros. Inclusive esta foi uma conclusão do Granconato, ainda que o Carlos mesmo tenha negado. Este trecho está mais ou menos no minuto 47.
A acusação surge após uma explicação (correta, mas dita de uma forma que poderia e foi mal interpretada) dada pelo Carlos da razão de tudo ser atribuído a Deus no Antigo Testamento, até mesmo o mal. Como não havia um desenvolvimento teológico a respeito dos agentes (o diabo e seus anjos, por exemplo) que também atuam no universo criado por Deus, tudo era atribuído a Deus, até porque, de uma forma ou de outra, tudo está sob o seu controle, mesmo quando algo é feito por intermédio de outro. Os casos de Jó e Davi (a respeito do censo que ele levantou) são clássicos. Ainda que aqueles males tenham sido provocados pelo diabo, eles são atribuídos a Deus.
O Carlos foi perfeito nessa colocação. É o que eu penso também. No entanto, faltou clareza ou, quem sabe, uma explicação melhor, que não desse margem para dúvidas.
Enfim, a acusação do Granconato e dos calvinistas é injusta. O Carlos não afirmou que a Bíblia contém erros. Esses poderiam dar ao Carlos pelo menos o benefício da dúvida ao invés de tirarem uma conclusão com tamanha falta de caridade.
Eu, semelhantemente, poderia dizer que o Granconato fez exatamente o mesmo. Ele afirmou que a Bíblia contém erros. Em 50.20, ele comenta sobre como deve ser o comportamento de um "teólogo honesto":
" 'Tenho aqui dois textos que eles se anulam. Com qual deles eu fico?' O teólogo honesto, academicamente, vai dizer 'eu vou ficar com os dois'. "
Ora, se há dois textos que se anulam, então ele está admitindo que há contradições nas Escrituras. Isso não é diferente de dizer que há erros nas Escrituras, como, segundo o Granconato, o Carlos afirmou.
Mas eu estou dizendo tudo isso apenas para afirmar que nenhum dos dois quis afirmar que a Bíblia contém erros, muito embora, numa interpretação superficial, essa conclusão pode ser tirada.
Agora uma pausa para um pouco de humor, para quebrar a seriedade dos comentários.
Em 58.22, o Granconato diz,
"Mundo aqui significam as pessoas espalhadas pelo mundo afora. Esse é o sentido do mundo e é assim que eu entendo. Uma conexão direta com eleitos? Mas depois de algumas cambalhotinhas, a gente chega lá."
Cambalhotinhas? Depois o calvinista reclama quando a gente diz que ele faz malabarismo exegético.
10) Agora temos uma declaração de um calvinista admitindo o Voluntarismo. O Granconato faz isso em 1.10.50. Os calvinistas costumam negar que sejam voluntaristas.
Bem, devo dizer que o Granconato define Voluntarismo de uma forma equivocada (ele diz mais do que a teoria ensina), e cita exemplos inadequados para apoiar essa teoria, mas a admissão chega a ser surpreendente.
11) Em 1.13.23, o Granconato nos presenteia com uma ótima oportunidade de darmos boas risadas. Ele diz que em Romanos 9 "Paulo está discutindo com um arminiano".
E eu sempre pensei que Paulo, em Romanos 9, estava discutindo com um judeu, que apoiava sua salvação na descendência natural de Abraão e fidelidade à aliança mediante a manutenção das obras da lei. Mas o mais engraçado ainda está por vir.
12) O Granconato, segundo me pareceu, não conseguiu esconder um certo descontrole no final, mostrando-se desesperado para vencer o debate no grito, especialmente porque ele seria o último a falar e não haveria tempo de resposta para as suas bravatas. Enquanto o Eber tenta encerrar o programa, o Granconato tenta abafá-lo, dizendo, "Romanos 9 é a kryptonita do Arminianismo. Romanos 9 é a kryptonita do Arminianismo. Acaba com o Arminianismo."
Bem, encerro por aqui. Também tenho críticas a fazer ao pr. Carlos, mas elas se resumem a não ter explicado melhor suas crenças. No geral, ele se comportou com profundo respeito e larga sabedoria. Com exceção de Fp 1.29, eu concordo com todas as suas interpretações bíblicas.
O Granconato também demonstrou respeito e sabedoria, embora tenha tropeçado nesses pontos diversas vezes. O seu desfecho, "gritando" as palavras que eu citei acima, foi lamentável, inconveniente e infantil.

http://www.arminianismo.com/

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O VERDADEIRO CRISTÃO ARMINIANO NÃO DEPENDE DE SUAS OBRAS PARA SER SALVO



Por Valdemir Pires Moreira

INTRODUÇÃO

São muitos aqueles que acham que conhecem o arminianismo, no entanto, professam ensinos totalmente contrários, é por essa causa que começarei esse artigo trazendo uma rápida definição do que seja o pelagianismo e o semi-pelagianismo.

O que ensina o pelagianismo? Ensina que não existe pecado original ou pecado herdado, que a vontade humana é livre para escolher ente o bem e o mal, que apesar da queda, o homem tem a capacidade de vencer o pecado, em outras palavras, para o pensamento pelagiano o homem não é totalmente depravado.

O que ensina o semi-pelagianismo? Em contra partida surgiu o semi-pelagianismo ensinando que a graça de Deus é proporcionada a toda humanidade; cada um deve dar o primeiro passo para obter a sua salvação.
Isso quer, dizer que tanto o pelagianismo quanto o semi-pelagianismo enfatizam o livre-arbírio humano. Todo e qualquer ensino que enfatizar o livre-arbitrio, sem antes observar a graça preveniente, não pode e não deve ser considerado um ensino do arminianismo clássico e nem do wesleyano. Tendo feito essas considerações farei a seguinte observação:     

Na TEOLOGIA SISTEMÁTICA PENTECOSTAL publicada pela CPAD – onde os escritores são teólogos pentecostais brasileiros – em seu capítulo sobre SOTERIOLOGIA, o pastor Antonio Gilberto, um dos meus principais mestres, discorrendo sobre o arminianismo, diz que:

“Um perigo fatal a que pode levar o arminianismo é o crente depender de suas obras, de sua conduta, de seu porte, de sua obediência pessoal, para a sua salvação (Hb 9.12). Nesse extremo campeia a falsa santidade, sendo o homem enganado pelo seu próprio coração (Jr 17.9)”. (Teologia Sistemática Pentecostal, pág.369 – CPAD).

Estive pesquisando, como aluno, essas ponderações do meu mestre e não encontrei em nenhum livro escrito por arminianos essa possibilidade, do verdadeiro arminiano poder cair em tal erro.

PORQUE É IMPOSSIVEL UM CRISTÃO DEFENSOR DO ARMINIANISMO CAIR EM TAL ERRO?

Vejamos do ponto de vista arminiano sobre o assunto:
O próprio Jacobus Arminius afirma que: “Neste estado [caído], o livre-arbítrio do homem para o verdadeiro bem não está apenas ferido, enfermo, inclinado, e enfraquecido; mas ele está também preso, destruído, e perdido. E os seus poderes não só estão debilitados e inúteis a menos que seja assistido pela graça, mas não tem poder algum exceto quando é animado pela graça divina” (Jacobus Arminius, Works, trans. James Nichols (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1956), 2:192).

Bruce R. Mariano discorrendo sobre o assunto diz que: “Por estar à natureza humana tão deteriorada pela Queda, pessoa alguma tem a capacidade de fazer o que é espiritualmente bom sem a ajuda graciosa de Deus. A esta condição chamamos corrupção total - ou depravação - da natureza. Não significa que as pessoas não possam fazer algum bem aparente, apenas que nada do que elas façam será suficiente para torná-las merecedoras da salvação. E este ensino não é exclusivamente calvinista. Até mesmo Armínio (mas não todos os seus seguidores) descreveu o "livre-arbítrio do homem em favor do verdadeiro Bem", na condição de "preso, destruído e perdido...não tem nenhuma capacidade a não ser aquela despertada pela graça divina". A intenção de Armínio, assim como depois a de Wesley, não era manter a liberdade humana a despeito da Queda, mas asseverar que a graça divina era maior até mesmo que a destruição provocada pela Queda” 19. (Teologia Sistemática, uma perspectiva pentecostal. págs. 269-207 – CPAD).

No livro Teologia de John Wesley, publicado pela CPAD, p.99, de autoria de Kenneth J. Collins, Richard Taylon conclui que: “Jacó Armínio e John Wesley eram totalmente agostinianos nos seguintes aspectos: (a) a raça humana é universalmente depravada como resultado do pecado de Adão; (b) a capacidade do homem de querer o bem está tão debilitada que requer a ação da graça divina para que possa alterar seu curso e ser salvo” 158.

Sendo assim, é impossível um arminiano se vangloriar em suas obras ou tratar com somenos importância uma vida dependente de Deus, de seu Filho Jesus, e do Santo Espírito. Veja o que diz o Dr. Timothy C. Tennent presidente do Seminary Asbury Theological:

“É importante entender que a salvação nunca começa com algo que nós fazemos, mas sempre como uma resposta a algo que Deus fez. Pensar que a salvação começa com nosso arrependimento de nossos pecados e convite para que Jesus entre em nossos corações não é a forma que as Escrituras entendem todo o processo de salvação. Antes, a salvação sempre começa com uma ação anterior de Deus. Ele age, e nós respondemos ou resistimos. Ela sempre segue esse padrão. Uma abordagem de todas as maneiras que Deus nos prepara para receber o evangelho é usar o termo “graça preveniente (precedente)”. A graça preveniente diz respeito a todos esses atos da graça em nossas vidas que antecedem a nossa conversão. Sabemos que tal graça existe porque Jesus disse que “ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer” (Jo 6.44). Há uma “atração” ou “preparação” que precede nossa efetiva conversão. A outra razão que sabemos que a graça de Deus deve preceder nossa decisão de seguir a Cristo é que as Escrituras nos ensinam que estamos mortos em nossos delitos e pecados à parte de Cristo (Ef 2.1). As Escrituras não ensinam que estamos meramente doentes ou que o nosso progresso espiritual geral é lento, mas que estamos espiritualmente mortos. (Esta é uma outra grande característica distintiva do Cristianismo.) Isto significa que somos incapazes de nos ajudar ou de nos salvar sem uma ação prévia de Deus”. 
(Fonte:http://seedbed.com/feed/prevenient-preceding-grace-30-questions/ Tradução: Paulo Cesar Antunes).

Concluo este artigo fazendo a seguinte pergunta, não seria digno de bom senso uma revisão deste ponto nas próximas edições do Teologia Sistemática Pentecostal? Não pelo fato de sabermos que existe supostos “arminianos” que se encaixam perfeitamente nas palavras do pastor e mestre Antonio Gilberto, homens que defendem o pelagianismo ou o semi-pelagianismo pensando estarem defendendo o arminianismo, mas pelo fato logico e verdadeiro de que Jacobus Arminius nunca ter ensinado e muito menos deixou transparecer tal ideia sobre esse suposto erro de depender de suas obras para a salvação. Encerrando por aqui, agradeço a Deus por essa oportunidade e aos meus irmãos em Cristo que me ajudaram na elaboração deste artigo.

19 Os arminianos não definiriam a aceitação da oferta feita por Deus, a salvação, como um ato meritório. H. Orton Wiley, Christian Theology, vol. 2 (Kansas City: Beacon Hill, 1940), 138; Armínio (1560-1609), "Public Disputations", The Writings of James Arminius, vol. 3, trad. W. R. Bagnall (Grand Rapids: Baker Book House: 1986), 375. Ver também Carl Bangs, Arminius, A Study in the Dutch Reformation (Nashville: Abington, 1971), 343. João Wesley, "Sermon LXII - On the Fall of Man", Sermons on Several Occasions, vol. 2 (Nova York: Carlon &amp; Porter, sem data), 34-37.
158 (Taylor, Exploring Christian Holiness, p.20).


Valdemir Pires Moreira é Diácono da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Caucaia.