Arminianos Cearenses

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segunda-feira, 11 de maio de 2015

EU AMO PORQUE DEUS ME AMOU



Por Carlos Pedro da Silva

Nós amamos Jesus e queremos nos parecer com Ele, e este amor que temos por Ele inicialmente vem dEle. Vem de Jesus. Às vezes, nos achamos bons e importantes por amá-IO. Mas o texto bíblico diz que não passa por nós esse benefício. O fato de estarmos aqui, na Igreja, é porque Ele nos amou primeiro. Não teríamos a menor chance de estarmos aqui hoje, a não ser por causa dEle. João disse: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que enviou o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna”.
O Evangelho é entendido a partir de apóstolos como João. Tem muita gente que pensa o Evangelho de forma diferente. Se olharmos o Evangelho a partir da perspectiva de Judas, veremos a percepção do lucro. A sua ótica era que o Evangelho poderia dar muito dinheiro. Existem pessoas pensando no lucro.
Há aqueles que vêem o Evangelho na base do racionalismo. É tudo na base da Lei e de regras sobre regras. Ou seja, há muita gente que acha que o Evangelho é do ponto de vista do legalismo.
João tem uma percepção correta do Evangelho. João gosta de deitar com a cabeça no peito. Ele gosta de tratar como “filhinhos”. Ele vê o Evangelho de Cristo como o exercício da misericórdia. Ele pensa a misericórdia.
João entende, por meio de Cristo, que o Evangelho, na sua essência, é o amor, é a caridade. Caridade é o amor que move a vontade à busca efetiva do bem de outrem e procura identificar-se com o amor de Deus. O amor de Deus não é teórico, mas é o exercício da verdadeira compaixão. A caridade é o amor que nos leva a viver e a agir, e a buscar de forma afetiva o bem de outros. Agindo assim, nos identificamos com Jesus.
Jesus falou que nós seremos Seus discípulos se fizermos o que Ele manda.  E o Seu mandamento é este: que amemos uns aos outros. Podemos praticar esse amor, porque experimentamos esse amor. Só consegue viver Jesus, quem vive o Seu amor. João coloca três coisas maravilhosas:
1º A caridade é a capacidade de, através da misericórdia, abrir caminho para que a vida se manifeste. Está no versículo 9 de 1 João 4: “O amor de Deus para conosco manifestou-se no fato de Deus ter enviado seu Filho unigênito ao mundo para que vivamos por meio dele”.
Se você ama como Deus ama, você é um facilitador para que a vida de Deus se manifeste em outras pessoas. Sou eu que tenho essa responsabilidade. A Vida precisa fluir através de nós. Somos um agente de vida.
2º - A caridade nos ensina o caminho do perdão. Está no versículo 100 de 1 João 4: “Nisto está o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele quem nos amou e enviou seu Filho como propiciação pelos nossos pecados”.
É através de nós que o mundo vai conhecer o que é perdoar. Quando tenho a capacidade de perdoar e agir como Jesus, então sou luz.
Tem gente que ainda carrega magoas e dificuldades dentro de si, e ainda não aprenderam a perdoar. O perdão que Ele me ensina é um perdão que Ele nos deu na cruz. Ele nos trouxe para perto dEle depois do perdão. É assim que devemos fazer. Perdão é ter a capacidade de apagar os erros e criar uma relação fraternal. É este o Evangelho que Deus colocou para nós: aprender a andar com os nossos irmãos.
3º - O exercício da compaixão lança fora o medo. Sim, pois nos faz parecidos com o próprio Deus. Está no versículo 18 de 1 João 4: “No amor não há medo, pelo contrário, o perfeito amor lança fora todo o medo,”
Quando começo a exercer a compaixão e a viver a prática da caridade cristã, olhando as pessoas como Deus está olhando, então eu vou ficando parecido com o Senhor Jesus. E esse amor lança fora o medo, inclusive de uma condenação, de um julgamento.
Como é bom viver aquilo que o Senhor nos ensina! O mundo precisa ver o Senhor em nós! O mundo precisa olhar para nós e ver que parecemos com Jesus. Você tem que parece com Jesus. João disse ainda: “Se alguém diz: ‘Eu amo a Deus’, mas odeia o seu irmão, é mentiroso. Pois ninguém amar a Deus, a quem não vê, se não amar o seu irmão, a quem vê.
Você é mentiroso? O mandamento de Cristo é este: quem ama a Deus no domingo de manhã, ama seu irmão todos os dias. Essa é a ótica de João. Pedro pergunta: “Quantas vezes eu devo perdoar o meu irmão? Quem é meu irmão?”. Lucas 10.25 narra a Parábola do Bom Samaritano. “A quem devo amar?”, era a pergunta do mestre da Lei. E Jesus contou essa parábola. Aquele samaritano tinha azeite. Aquele homem caído não era um bandido ou viciado, era o homem comum. Um homem comum que foi ferido no meio do caminho.    Foi assaltado, ferido e estava prostrado no caminho. E muita gente é religioso demais e “santo” demais que não pode ajudar esse maltrapilho na beira da estrada, caído na beira do caminho e ferido. Mas, o samaritano unge ele com azeite. Você só pessoas com quem você quer se relacionar. Ungir quem está bem e é seu amigo não é nada demais. Há homens caídos que você não sabe quem são. Nós não os conhecemos, mas temos a capacidade de ajudar esses.
O samaritano tinha vinho, tinha alegria. Tem gente que está muito amargurada e triste e você pode proporcionar alegria para essas pessoas!
Ele cobriu as feridas, não deixou estas expostas. O samaritano sabia que não poderia deixar aquele homem assim. E Jesus termina a parábola dizendo: “Vá e faça a mesma coisa”. É assim que o Senhor deseja, que possamos ir e fazer a mesma coisa. Pereça com Ele, vá e faça o mesmo. Em Mateus 25.31-40, lemos: “Quando, pois, o Filho do homem vier na sua glória, e todos os anjos com ele, então se sentará no seu trono glorioso; e todas as nações serão reunidas diante dele; e ele separará uns dos outros, à semelhança do pastor que separa as ovelhas dos cabritos; e porá as ovelhas a sua direita, mas os cabritos a sua esquerda. Então o rei dirá aos que estiverem a sua direita: vinde, benditos de meu Pai. Possui por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me deste de beber; era estrangeiro, e me acolhestes; precisei de roupas, e me vestistes; estava na prisão e fostes visitar-me. Então os justos lhe perguntaram: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer, ou sede e te demos de beber? Quando te vimos como estrangeiro e te acolhemos, ou precisando de roupas e te vestimos? Quando te vimos doente, ou na prisão, e fomos visitar-te?”.
Meditemos sobre essa palavra de Jesus. Mais do que isso: vivamos essa verdade em nossas próprias vidas, hoje e sempre.

Carlos Pedro da Silva é pastor e vice-presidente da Assembleia de Deus em Itaóca (RJ).


Fonte: Jornal Mensageiro da Paz. Fevereiro de 2013, pág. 27.

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