Arminianos Cearenses

Arminianos Cearenses

quinta-feira, 28 de maio de 2015

UMA RESPOSTA AO FRANKLIN FERREIRA





Por Luís Felipe Nunes Borduam


1. Parabéns pelo tom irênico do Franklin Ferreira em seu comentário. Atitude tão rara no meio calvinista contemporâneo;

2. Nosso irmão falha ao afirmar que os ensinos de João Wesley e sua tradição é semi-pelagiana ou semi-agostiniana.

Wesley defende os mesmos pressupostos do Arminianismo clássico, tais como, a Depravação Total e a Expiação Substitutiva Penal. Wesley vai além, apenas, por descrever com maior vigor o processo de santificação e a possibilidade real de apostasia e, em nada, ele tende ao semi-pelagianismo;

3. Franklin critica o artigo por não apresentar a exegese de textos claramente arminianos.
O artigo não tinha esse propósito, por isso, não foi apresentado. O foco era apresentar um panorama histórico da teologia arminiana e sua ortodoxia;

4. Diz também que o autor não cita comentários bíblicos para sustentar a exegese arminiana.
Sim. Ainda temos muito pouco material arminiano de qualidade em lingua portuguesa, tendo em vista, que as editoras mais abrangentes e fortes tem um compromisso com a teologia calvinista, mas isso já está mudando aos poucos. "Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará". Muitos tem caido no engodo calvinista, porque boa parte dos poucos materiais arminianos que temos em português são caricaturas escritas por calvinistas ou "arminianos" mal informados.

5. Afirma que existem muitos comentários bíblicos de calvinistas que refutam os versículos que tem conotação arminiana.

E desde quando ter muitos comentários bíblicos sobre um assunto quer dizer que eles estão certos? Sem contar que esses comentáristas "interpretam" esses textos com a intenção de forçar as Escrituras a se conformarem com a filosofia calvinista e não com um compromisso com a revelação Bíblica. Esse método calvinista de "interpretação" foi denunciado por um calvinista chamado Charles Haddon Spurgeon, conhece?
Spurgeon escreveu acerca de 1 Tm 2:3,4 "Vocês, muitos de vocês, conhecem bem o método geral pelo qual os nossos velhos amigos calvinistas tratam este texto. 'Todos os homens', dizem eles - 'isto é, alguns homens', se quisesse dizer alguns homens. 'Todos os homens", dizem eles; 'isto é, alguns de todos os tipos de homens', se Ele quisesse dizer isso. O Espírito Santo, por meio do apóstolo, escreveu 'todos os homens' e, inquestionavelmente, Ele quer dizer todos os homens. Sei como descartar a força do termo 'todos', segundo aquele método crítico que há algum tempo era muito corrente, mas não vejo como se pode aplicar isso aqui mantendo a devida consideração pela verdade. Há pouco estive lendo a exposição de um habilidoso doutor que explica o texto acabando com ele; ele aplica pólvora gramatical ao texto, e o faz explodir a título de explicá-lo. Quando li a sua exposição, pensei que teria sido um comentário de capital importância se o texto dissesse: 'Que não quer que todos os homens se salvem, nem que cheguem ao conhecimento da verdade'. Se essa fosse a linguagem inspirada, todas as observações feitas pelo ilustre doutor ser-lhe-iam exatamente fieis, mas como acontece que ela diz, 'Que deseja que todos os homens sejam salvos', as suas observações estão mais de que um pouco fora de lugar." (Iain Murray, Spurgeon versus Hipercalvinismo. PES. 2006. p. 171,172).

6. O crítico chama as tensões que Silas Daniel apresenta no artigo de contradições.

Contradições é eu afirmar que Deus determina exaustivamente todas as coisas e mesmo assim o homem é responsável por seus atos. Isso é contradição. Não podemos confundir contradição, tão comum na teologia calvinista, com os paradoxos (aparentes contradições que analisadas fora do senso comum podem ser compreeendidas) encontrados na teologia arminiana.
Ele apresenta as seguintes situações como "contradições" arminanas: "se Deus já sabia quem receberia a Cristo, por que este precisaria morrer por todos?"
Não vejo contradição aqui. Deus saber quem iria se render a ação da Sua graça e morrer por todos é só uma prova da universalidade do amor e da bondade de Deus. Deus assim o quis e "quem és tu ó homem, que a Deus replicas?" Se assim Ele quis mostrar Seu amor infinito e sua sabedoria, "porque a loucura de Deus é mais sábia do que os homens".
Diz também que é contraditório nós crermos em algum tipo de predestinação.
Porque seria? Nós cremos que Deus determinou muitas coisas. Cremos que Deus predestina pessoas para obras específicas. Só não cremos, segundo as Escrituras, que Deus determinou pessoas obrigatoriamente a irem para o inferno. Não cremos no determinismo exaustivo, mas cremos em determinações e intervenções de Deus na história.
Sobre a questão de quem pôs o futuro lá? Por favor, Deus é onisciente e sabe até as coisas que aconteceriam caso as decisões dos homens fossem outras. Exemplo: I Sm. 23:12, Davi pergunta se ele permanecer em Queila o povo dessa Cidade iriam entregar ele nas mãos de Saul e Deus responde: Vão te entregar.
Peraí, então. Como Deus pode saber uma coisa que iria acontecer no futuro sem ele ter posto o futuro lá? Simplesmente porque Ele sabe o desfecho que se daria em qualquer circusntancia possível. Chamamos isso de conhecimento médio. Molina, William Lane Craig etc explicam bem isso. Essa pergunta retórica a lá Granconato sobre quem colocou o futuro lá é só para enganar incautos.

7. O crítico tenta validar a predestinação calvinista usando uns poucos exemplos de teólogos medievais.

Achei interessante a estratégia que ele usa para validar o calvinismo historicamente. Pinça alguns teólogos medievais que creram em variaçoes da predestinação para afirmar que defendiam um tipo de "calvinismo".

Sabemos que analisando por um viés histórico o calvinismo é inaceitável, por várias razões:

A. Todos os Pais da Igreja eram sinergistas, exceto Agostinho, que cria no monergismo "calvinista";

B. Os judeus e a tradição judaica eram e são sinergistas;
C. Vários pontos do calvinismo foram refutados e condenados como heréticos nos concilios de Arles (473) e de Orange (529) (a Eleição Incondicional, a Graça Irresistível e a Expiação Limitada condenados nesses concílios); e o Sínodo de Jerusalém de 1672 (condena todo o calvinismo);

D. A manipulação política do sínodo de Dort;

E. As impiedades que os governos com influência calvinista cometeram, tais como com Servetus, os assassinatos e prisões de Arminianos em Dort, a covardia que fizeram com os pastores e suas famílias durante o processo do concílio etc.

F. Os grandes apologetas modernos e contemporâneos como William Lane Craig, C.S Lewis, Chesterton, Norman Geisler, A.W Tozer, Alvin Plantinga etc defendem o sinergismo arminiano e o arbítrio liberto.

G. Enfim, o calvinismo não se sustenta em uma perspectiva da teologia histórica. Os pontos do calvinismo foram uma anomalia e uma heterodoxia Bíblica e da tradição judaico-cristã.

8. Franklin utiliza de um argumento muito comum na retórica calvinista ao citar John Fletcher.

Usa teólogos "arminianos" posteriores para tentar reler o arminianismo anterior e desmerecê-lo. Isso vale na retórica falaciosa, mas sabemos que tanto Jacó Armínio como John Wesley eram totalmente ortodoxos. Seria desonesto de minha parte se eu citasse Charles Finney que foi presbiteriano, mas defendia o semi-pelagianismo como um representante da teologia calvinista; assim como pegar os teólogos liberais calvinistas e reler e julgar o calvinismo com base neles. Vejo que essa é uma estratégia muito comum usada pelos calvinistas para desmerecer o arminianismo, mas creio que não somos mais tão incautos para cair nessas falácias.

9. Concordo com o último parágrafo de que as Escrituras tem o veredito final.

No final saberemos se Deus ama só alguns ou ama a todos; se Ele deseja que todos sejam salvos ou se Ele deseja que a maioria seja condenada; saberemos se a salvação é pela fé ou pelo decreto; etc.


Que Cristo nos ilumine para sabermos as respostas e, não apenas saber, mas a viver uma vida coerente com os Verdadeiros ensinos das Escrituras.

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