Arminianos Cearenses

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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Pastor César Moisés fala em um de seus artigos sobre TRADIÇÃO REFORMADA, CALVINISMO, ARMINIANISMO E PENTECOSTALISMO



Em seu artigo intitulado A Igreja em um mundo novo publicado na revista OBREIRO APROVADO, Ano 36 nº 70 - 3º trimestre/2015, o pastor César Moisés discorre dentre os vários pontos, os seguintes: TRADIÇÃO REFORMADA, CALVINISMO, ARMINIANISMO E PENTECOSTALISMO. Reproduzirei uma parte desse artigo para que possamos considerar suas observações, e quem sabe chegarmos a uma conclusão de equilíbrio dentro do assunto por ele tratado.

[...] Tendo distinguido o Evangelho e o Reino de Deus, já temos claro o fato de que eles não podem ser confundidos com religião e denominacionalismo. O próximo passo é aquilatar a posição pentecostal em relação à realidade. Como vemos o mundo? Da resposta a essa pergunta depende a forma como se dá – ou se dará – nossa interação com a cultura à nossa volta e na qual estamos imersos. Meu questionamento tem uma única razão de ser. Todas as vezes que afirmamos que o mundo vai de mal a pior e que nada pode ser feito, a não ser cruzar os braços e assistir passivamente o desamor, a perversidade, a destruição, a miséria, a desigualdade social, o terrorismo a inescrupulosa utilização da Bíblia para manipular as pessoas, admitimos tacitamente nossa dependência do pensamento reformado e da teologia calvinista, como se tais males fossem uma camisa de força da vontade diretiva de Deus. Apesar de negarmos tal posição na soteriologia (onde reconhecemos haver vontade ou livre-arbítrio), subscrevemo-la em nossa prática e cotidiano, sobretudo na leitura da realidade.
Próxima de completar quinhentos anos, ninguém nega as conquistas da Reforma. Contudo, um único segmento dentro do protestantismo reivindica para si a posse de quem faz parte, ou não, da tradição da Reforma. A crítica à cristalização dogmática do catolicismo romano, e da antiga reivindicação deste de ser o único e legítimo representante do cristianismo, acometeu de igual forma os protestantes. E isso em tal intensidade que os calvinistas ainda debatem se o pentecostalismo pode ser considerado parte da religião cristã. 15 A teologia arminiana, ou arminianismo – corrente responsável pelos fundamentos teológicos dos pentecostais –, para os reformados, é uma perversão do Evangelho.
Recentemente, Charles Finney, vem sendo duramente criticado pelos calvinistas, pois o pentecostalismo tem descoberto a importância de alguns aspectos do pensamento deste importante advogado cristão norte-americano do século passado. Com destaque para a sua luta contra o dogmatismo reformado que, consignado na Confissão de Westminster, transformou-se em uma versão textual e protestante do dogma da infalibilidade papal. 16 Um simples exemplo ilustra o ponto. Apesar de o pentecostalismo clássico não aprovar as práticas bizarras de muitos que se dizem pentecostais, os calvinistas insistem em colocarmo-nos sob o mesmo espectro dos adeptos da “benção de Toronto”, por exemplo.  
Eles atribuem à culpa de tais distorções a Finney, pois de acordo com a acusação, “ele marcou a transição da supremacia da teologia calvinista para a teologia arminiana na igreja”. E o que isso causou? De acordo com o mesmo autor, “quando o arminianismo tornou-se a força dominante, trouxe consigo o secularismo que, associado ao humanismo, já presente nesta vertente teológica, resultou no que hoje se vê”. 17
Todas as mazelas da igreja evangélica são atribuídas a uma única causa: o arminianismo. Logo, basta eliminar o arminianismo que os problemas desaparecerão. Acontece que para que isso seja possível, só há dois caminhos: converter os arminianos ao calvinismo ou acabar com eles. Apesar de esta conclusão parecer radical demais, basta observar a virulência da perseguição no inicio do moderno movimento pentecostal e a recente tentativa brasileira de “calvinizar” os pentecostais.
Por ostentar uma apologética sumamente pressuposicional, os reformados acreditam que a realidade deve subscrever à proposição. Por isso, condenam a prática pentecostal e acusam-nos de não termos teologia e de Sermos apenas pragmáticos. Conquanto a acusação procede em parte, como disserta Isael de Araujo, a “diversidade mundial do pentecostalismo torna quase impossível falar de ‘uma’ teologia pentecostal”, pois, continua o mesmo autor, ainda não “se conseguiu amadurecer uma teologia da fé cristã sob a perspectiva do pentecostalismo clássico”. 18 Isso não significa, porém, que o pentecostalismo clássico não tem “doutrina”. As crenças principais do movimento seguem a esteira das doutrinas mestras apresentadas na religião cristã. Agora, um sistema teológico, de fato, o grupo não possui. Mas talvez seja esse justamente mais um dos fatores do seu crescimento exponencial. Explico [...]
15 O “pentecostalismo quer ser levado a sério como movimento cristão. Está na hora de avalia-lo” (BRUNER, Frederick Dale. Teologia do Espírito Santo. 3.ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2012. P.19).
16  FINNEY, Charles. Teologia Sistemática. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2002, p.24.         
17 SOUSA, Jardiel Martins. Charles Finney e a secularização da Igreja. 1.ed. São Paulo: Edições Parakletos, 2002, p.42.
Apesar de o autor dar uma interpretação muito particular para expressões humanismo e secularismo, a questão toda é que, mesmo em sua definição, ambas são filosofias negativas.
18 ARAUJO, I. Dicionário do Movimento Pentecostal. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.557.
César Moisés Carvalho é pastor, pedagogo, pós-graduado em teologia pela PUC-Rio, professor universitário e chefe do Setor de Educação Cristã da CPAD.

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